notíciassbb


Bioética perde William Saad Hossne

William Saad Hossne –ou professor Saad, como era conhecido por alunos e admiradores– sentiu-se mal na manhã de 13 de maio, e chegou a ser levado a hospital em virtude de problemas cardiológicos que vinham o acometendo há alguns anos e que o levaram à morte.

 

Apesar de seus 89 anos, o professor Saad tinha entre suas características mais marcantes energia inabalável e entusiasmo “de adolescente”: partiram dele, por exemplo, a criação da primeira norma ética sobre participação de seres humanos em pesquisas –Resolução n° 196/1996, do Conselho Nacional de Saúde (CNS)– dando origem à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), da qual foi o 1° e mais longevo coordenador, além da fundação da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), em 1995, sendo seu 1° presidente. Buscou ainda a inclusão do tema “Bioética” nas diretrizes curriculares das áreas de Saúde.

 

Como lamenta Regina Parizi, presidente da SBB, “o Prof. William Hosne foi um exemplo como medico, professor e ser ético para várias gerações de profissionais da saúde. A sociedade perde um grande protetor dos direitos dos participantes de pesquisa no Brasil. Sem dúvida, ele contribuiu muito com a qualidade ética e técnica do conhecimento em saúde”.

 

Um pouco da sua história
Nascido em quatro de janeiro de 1927, em  Botucatu, SP, o professor Saad formou-se pela Faculdade da Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em 1951. Na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) dirigiu o Departamento de Cirurgia e Ortopedia; foi presidente da Comissão de Ética Médica e membro do Comitê de Ética em Pesquisa; professor livre-docente e professor titular. Atuou ainda como diretor da Faculdade de Medicina e do Hospital das Clínicas; responsável pela disciplina de delineamento da pesquisa; e professor emérito, tendo criado também o laboratório de cirurgia experimental que hoje leva seu nome.

 

Na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) foi diretor científico e vice-presidente do conselho superior. Foi também reitor da Universidade Federal de São Carlos; presidente da Associação Brasileira de Educação Médica; e coordenador do curso de pós-graduação em Bioética do Centro Universitário São Camilo.

 

Publicou mais de 50 trabalhos em revistas científicas nacionais e internacionais nas áreas de cirurgia, ética e bioética. São de sua autoria outros 109 artigos e 18 capítulos em livros. Participou aproximadamente 450 eventos científicos nacionais e internacionais nas áreas de Cirurgia, Ética e Bioética quer como ouvinte, palestrante, moderador ou membro de mesas-redondas. Organizou sete eventos.

 

Concedeu diversas entrevistas na mídia –confira aqui uma das mais recentes, publicada pelo Jornal do Cremesp, na qual defende: “Bioética não é só vedetismo, panfletagem: temos a responsabilidade de formar futuros bioeticistas”e participou de bancas examinadoras em dezenas de mestrados; doutorados, tendo orientado quase 40 teses de mestrado e doutorado.

 

Atuou como membro do conselho editorial de periódicos como Revista Interface da Faculdade de Medicina de Botucatu; Acta Cirúrgica. Foi o 1° titular emérito da cadeira no 21 da Academia de Medicina de São Paulo.