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Estudo revela traumas dos sobreviventes da tragédia de Mariana

Você lembra do rompimento da Barragem do Fundão, da mineradora Samarco, ocorrido em 5 de novembro de 2015? A cidade de Mariana (MG) literalmente submergiu numa enxurrada de lama e detritos, ceifando vidas e sonhos dos moradores em poucos minutos. Mas, infelizmente, os danos provocados pela tragédia vai muito além, mas muito além mesmo, do que possamos imaginar.

Dados do Estudo sobre a Saúde Mental das Famílias Atingidas pelo Rompimento da Barragem do Fundão em Mariana (Prismma), realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Vulnerabilidade em Saúde (Naves) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a pedido da Cáritas Regional Minas Gerais, mostram mais de uma centena de idosos, adultos, jovens e crianças seriamente doentes. Os resultados foram divulgados neste 13 de abril de 2018.

A proposta do levantamento foi avaliar a saúde das vítimas, com ênfase na saúde mental – especialmente transtornos, desordens ou sintomas que podem piorar com o estresse, como depressão, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno por uso de substâncias e comportamento suicida.

Metodologia

O estudo, elaborado em novembro de 2017, reuniu respostas a questionários de voluntários sobreviventes com idades entre 19 e 90 anos, e que foram diretamente expostas à lama despejada pela barragem de rejeitos. De acordo com os pesquisadores, essas pessoas moravam ou tinham propriedades em Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Borba, Campinas, Pedras e Ponte do Gama na época do desastre que matou 19 pessoas, entre moradores e funcionários da mineradora. Dos 479 indivíduos abordados, 225 adultos e 46 crianças e adolescentes até 17 anos aceitaram participar da pesquisa. O restante se recusou, alegou medo de assinar documentos ou tinha outra justificativa para não responder às perguntas.

Resumo dos resultados

Segundo a pesquisa, no grupo de sobreviventes à tragédia avaliado, a prevalência de depressão é cinco vezes maior do que a descrita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a população brasileira em 2015, ano da tragédia. Ou seja, enquanto 28,9% dos atingidos pelo desastre sofrem da doença, na população em geral esse percentual é de 5,8%. Já o transtorno de ansiedade generalizado foi diagnosticado em 32% dos entrevistados, apontando para uma prevalência três vezes maior que a existente na população brasileira.

Pouco mais da metade dos entrevistados (53,8%) relatou sentir dores de cabeça e destes, 52,9% descreveram piora nos últimos dois anos. Aproximadamente um terço da população (31,1%) mencionou sentir tonteiras, sendo que 62,9% relataram piora nos últimos dois anos e 37,1% disseram não ter tido alteração. A falta de ar esteve presente em 13,8% dos entrevistados, com piora ocorrendo em 61,3% nos últimos dois anos. Em 35,5% dos casos não houve alterações e 3,2% não responderam. Da amostra, 35,1% sentiram palpitações e 63,3% manifestaram piora nos últimos dois anos.

O estudo também faz outro alerta relacionado ao surgimento do transtorno de estresse pós-traumático nas crianças sobreviventes: mais de 82% das que fizeram parte da pesquisa preencheram critérios para estabelecimento desse quadro. Nos adultos, esse diagnóstico envolveu 13,9% de mulheres e 8,6% de homens. Segundo o relatório da UFMG, o adoecimento da população não é um fato isolado e está conectado com estresses e processos de sofrimento social que as famílias têm vivenciado.

E os responsáveis?

Já se foram quase dois anos e meio da tragédia e as indenizações das vítimas, acredite, ainda estão sendo calculadas... As pessoas que perderam suas casas continuam morando em imóveis alugados pela Samarco e convivem com atrasos na reconstrução dos locais completamente destruídos e, hoje, abandonados. Segundo o estudo da UFMG, 22 pessoas e as empresas Samarco Mineração S.A, BHP Billiton Brasil, Vale e VogBR Recursos Hídricos e Geotecnia são réus no processo, que se arrasta na Justiça sabe-se lá por mais quantos anos...

Fonte: https://www.em.com.br

Veja mais detalhes em:
Estudo revela prevalência de depressão entre as vítimas de Mariana

 

Imagens: metrojornal.com.br/youtube.com