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Ruth Nussenzweig: pioneirismo na imunização contra malária

 

A pesquisa científica do país perdeu, no início de abril, a imunologista brasileira Ruth Nussenzweig. Pioneira no estudo e desenvolvimento de diferentes imunizantes contra malária, a cientista deixa um legado de importância extraordinária, que beneficiará mais de 300 mil bebês de regiões com alta endemia da doença no mundo, como Gana, Maláui e Quênia. As crianças receberão doses da vacina contra a malária produzida a partir dos estudos realizados nas últimas décadas por Ruth e seu marido, o também imunologista Victor Nussenzweig.

Ruth e Victor identificaram qual proteína do protozoário – a circunsporozoíta – ativava o sistema de defesa no organismo dos mamíferos. Eles clonaram seu gene e a produziram em laboratório usando bactérias como biofábricas. Este trabalho, publicado pela revista Science em 1984, possibilitou o desenvolvimento de outra linha de compostos candidatos à vacina, entre as quais a RTS,S. Produzida por uma empresa farmacêutica multinacional a partir da fusão de uma proteína do parasita da malária (Plasmodium falciparum) e outra do vírus da hepatite B, a vacina será aplicada nos bebês africanos, que serão acompanhados ao longo dos próximos anos.

Reconhecimento

Segundo informações da versão onine da revista Pesquisa Fapesp,  Ruth e Victor acumularam uma série de prêmios e homenagens ao longo de suas carreiras como cientistas. Em 2013, ela foi a primeira pesquisadora brasileira eleita membro da Academia de Ciências dos Estados Unidos. Em 2015, ela, Victor e a farmacologista chinesa To Youyou receberam o prêmio da Fundação Warren Alpert no valor de US$ 500 mil, entregue anualmente a pesquisadores que deram contribuição relevante para prevenção, tratamento ou cura de doenças humanas.


Ruth morreu no dia 1 de abril, em consequência de uma embolia pulmonar em Nova York, onde ela e o marido viviam desde meados de 1960, quando deixaram o Brasil durante o regime militar. Tinha 89 anos e estava com a saúde debilitada havia alguns anos, desde que sofreu uma fratura grave após uma queda.

Fonte: Revista "Pesquisa Fapesp" - no 266 - abril de 2018.

 

Imagem capa: Sociedade Brasileira de Parasitologia