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Aleitamento materno: postura dos EUA causa indignação entre pediatras brasileiros

Neste 10 de julho, a Sociedade Brasilelira de Pediatria (SBP) divulgou uma nota pública de repúdio, direcionada aos médicos e à população, frente a posição, totalmente absurda, do governo americano contra (sim, contra!) as políticas favoráveis ao aleitamento materno. A postura dos EUA foi manifestada durante reunião na Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça, e pretende dar ênfase e subsídios a indústrias que produzem leite artificial.

Mais: o governo americano ainda tentou intimidar países defensores do aleitamento com ameaças de sanções políticas e econômicas, desconsiderando de forma radical anos de estudos científicos que comprovam a importância do leite materno na prevenção de várias doenças e na redução da mortalidade infantil.
 
Às vésperas do Agosto Dourado, mês dedicado no Brasil a estimular a amamentação, a Sociedade Brasileira de Bioética manifesta total apoio à nota da SBP contra a posição do governo americano, e faz voz conjunta com a entidade na importância das autoridades brasileiras demonstrarem seu compromisso na promoção da saúde em campanhas que incentivem e apoiem as mulheres que amamentam.

Acompanhe, a seguir, a íntegra da nota da Sociedade Brasileira de Pediatria em defesa do aleitamento materno.

 

 

NOTA À SOCIEDADE E AOS MÉDICOS:

 

Em defesa do aleitamento materno para todos os povos

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em nome de cerca de 40 mil especialistas e de milhões de crianças e gestantes, vem a público lamentar posicionamento adotado pelo Governo dos Estados Unidos que, em debate sobre o fortalecimento do aleitamento materno em reunião da Assembleia Mundial da Saúde, em Nova Iorque, tentou intimidar países defensores dessa prática saudável com ameaças de sanções políticas e econômicas. 

 

Trata-se de episódio lamentável, que merece repúdio por parte dos governos das Nações, como o Brasil, que identificaram na amamentação uma estratégia importante para o desenvolvimento das futuras gerações, com benefícios também para a saúde da mulher. O posicionamento dos Estados Unidos desconsidera quatro décadas de estudos científicos que comprovam a importância do aleitamento na prevenção de doenças e na redução da mortalidade infantil, entre outros pontos. 

 

Infelizmente, atitudes como a da representação do Governo dos Estados Unidos beneficiam apenas os interesses da indústria de alimentos para bebês que movimenta cerca de US$ 70 bilhões no mundo, com crescimento estimado para este ano de 4%, principalmente pelo aumento das vendas nos países em desenvolvimento.

 

Diante da polêmica estabelecida, a SBP reitera seu apoio incondicional à amamentação e pede ao Governo Brasileiro que adote medidas que estimulem a adesão das gestantes a essa prática. Dentre as ações possíveis, estão: promoção de campanhas informativas sobre seus benefícios; criação de uma rede de apoio às mulheres que amamentam em locais de trabalho e de estudo; e ampliação dos períodos de licençamaternidade para 180 dias para trabalhadoras nos setores público e privado. 

 

Às vésperas do Agosto Dourado, mês consagrado pelo Estado Brasileiro à promoção do aleitamento, espera-se que as autoridades demonstrem seu compromisso com a saúde de todos e com a modernidade, ao contrário daqueles que marcham na contramão da história e apegados a interesses privados em detrimento das conquistas coletivas. 

 

Rio de Janeiro (RJ), 10 de julho de 2018. 

 

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

 

 

Crédito imagem home: interfisio.com.br