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Por sua brilhante trajetória acadêmica, Dirceu Greco recebe o título de Emérito da UFMG


Dirceu Greco: presidente da SBB recebe homenagens
por sua carreira acadêmica na UFMG

 

 

Neste 24 de setembro, o professor Titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dirceu Bartolomeu Greco, foi homenageado e recebeu o título de Emérito da Universidade. A solenidade aconteceu no Salão Nobre da Faculdade para agraciar docentes com trajetória acadêmica de importância inquestionável.

Dirceu Greco é médico e doutor em Medicina Tropical pela UFMG, com especialização em Imunologia Clínica pela Universidade Estadual de Nova York e pela Universidade de Londres. Sua atuação com ênfase em doenças infecciosas e parasitárias, imunologia clínica e ética inclui a participação como consultor de diversas instituições nacionais e internacionais no desenvolvimento de diretrizes em saúde pública. Atualmente é membro da Comissão Nacional de Aids, da Comissão de Consenso de Tratamento do HIV para adultos, da Comissão de Vacinas anti-HIV do Ministério da Saúde e do Comitê Internacional de Bioética (IBC), além de ser presidente da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB).

“Receber esse título é uma grande honraria. Claro que o principal reconhecimento deve ser o pessoal. Mas ser reconhecido por outras pessoas pelo que fiz como algo que vale a pena ser homenageado é muito importante”, afirma Greco. “A minha expectativa é continuar envolvido com a Universidade, mesmo estando aposentado. Espero que o que estou sendo reconhecido continue ajudando, com orientações nos projetos e a participação nesses comitês que faço parte. Esse título é, inclusive, mais uma oportunidade de continuar falando como professor da Universidade Federal de Minas Gerais. Estou ansioso com toda essa história”, enfatiza.

Professor da Faculdade de Medicina desde 1980 e nos quase 40 anos de atuação, Greco lembra a resistência e resiliência como características marcantes de suas trajetórias acadêmicas e pessoais. “Minha história de ascensão é diferente porque  comecei de um patamar já alto. Meu pai era um bom médico e minha mãe uma política duríssima. Direitos humanos era o arroz com feijão da nossa família. Essa era uma vantagem. Por obrigação, tudo que consegui foi por essa história”, conta o professor.

E lembra: “Quando me formei aqui, em 1969, estávamos no meio da Ditadura. Esse foi o pano de fundo do que podemos chamar de pré-carreira acadêmica. Por isso, quando escuto alguém defendendo a volta do regime militar, eu digo que se tiver mais de 50 anos de idade é porque perdeu a memória, mas, se tiver menos, temos que conversar e explicar o que foi”.

“Neste dia 24 estamos a duas semanas das eleições. Estamos vivendo semelhanças da época de 1964: uma intensa discussão sobre a família, considerada apenas como pai, mãe e filhos; o risco comunista, que incluía a distribuição de renda; e um pouco de luta contra corrupção”, aponta Greco. “Agora pretende-se uma ditadura branca, em que os militares tomarão conta das principais questões, e que ‘bandido bom é bandido morto’, além da pretensão de limpar a sociedade, eliminando homossexuais”, adverte com plena consciência dos acontecimentos e da situação política caótica do país.

Trajetória

Após concluir a especialização fora do país e entrar para o quadro de docentes da Faculdade, Dirceu Greco relata ter vivido ainda mais a resistência com o movimento médico. “Em 83 entrei para o Sindicato dos Médicos e fui eleito um dos conselheiros do CRM. Além de fazer parte dessa resistência, eu também atendia em consultório. Então, em 85 surgiram os primeiros casos de Aids no Brasil. Esse ano marcou minha vida do ponto de vista pessoal e acadêmico”.

À frente da abertura do ambulatório para atender pessoas em risco de contaminação do HIV/Aids, com o enfrentamento do medo da população e a culpabilização dos homossexuais pelo vírus, Greco aponta como um ponto marcante da época por ter causado milhares de mortes de jovens e alertado para a necessidade do debate sobre a sexualidade para além das DSTs. Para ele: “O Sistema Único de Saúde (SUS) foi a porta de abertura dessas discussões. Mudanças importantes surgidas quando o Brasil tornou-se democrático. Talvez a criação do SUS seja a mais relevante de todas”.

E o professor completa: “Com o SUS todo mundo passou a ter direito a saúde. Houve uma preocupação maior em oferecer um cuidado adequado para as pessoas, independente do poder aquisitivo ou a orientação sexual, por exemplo”, comenta Dirceu. “Garantir que a saúde fosse um direito de todos e dever do Estado, como constava na Constituição, foi um grande impacto, até para a Faculdade que tinha que ser um exemplo disso”.

Greco diz que, desde que se tornou Titular, em 1991, aumentou sua responsabilidade dentro da instituição, já que orientou muitos pesquisadores, dos quais alguns são professores da Faculdade atualmente. Mas, para ele, não há nenhum trabalho que considere o mais importante da sua vida. “Os de maior impacto foram artigos para revistas, com diretrizes para doenças infecciosas, HIV e ética”. E acrescenta: “Este último tema sempre esteve entrelaçado na minha atuação, desde que enfrentava a ditadura ou lidava com a dificuldade dos enfrentamentos das pessoas com HIV. Sempre participei de debates nesta área tanto nacionalmente como internacionalmente”.


Fonte: Faculdade de Medicina UFMG - Notícias Externas

 

Foto interna: Carol Morena