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Violência crônica contra mulheres: mortes evitáveis?

A cada dez mulheres mortas por causas ligadas à violência, três eram agredidas frequentemente e já tinham recorrido aos serviços de saúde por conta dos ferimentos, ou seja, todas as mortes poderiam ter sido evitadas.

Essa é uma das conclusões de um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, com mulheres de todas as faixas etárias, que cruzou registros de óbitos e atendimentos na rede pública entre 2011 e 2016. Foram mais de seis mil óbitos registrados no período. Acredite: entre eles, estavam 294 crianças de até 9 anos que sofriam violência crônica e 752 mulheres com 60 anos ou mais.

Comparou-se os riscos de morte por causas violentas entre as mulheres que já tinham sido agredidas e as que não tinham histórico de agressão. O resultado foi estarrecedor: entre adolescentes, por exemplo, o risco de morrer por homicídio ou suicídio era 90 vezes maior; autolesões foram encontradas em 40% das mulheres mortas que já sofriam agressões. E mais: no período da pesquisa, a cada dia morreram três mulheres que já tinham buscado atendimento por agressão.

E a chamada "medida protetiva"? Esta seria uma das formas que deveria coibir a violência e proteger a vítima, de acordo com a Lei Maria da Penha. Mas nem todas as mulheres denunciam a violência, por medo, vergonha ou desconhecimento: mais de um terço das vítimas do estudo vivia em municípios pequenos, de até 50 mil habitantes.

De acordo com Maria de Fátima Marinho Souza, coordenadora da pesquisa e diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, os dados deixam evidente o caráter crônico e perverso da vivência recorrente da violência e a necessidade de se reforçar a rede de assistência à mulher em todo o país, não apenas nas grandes capitais.

 


Fontes:
Ministério da Saúde
Boletim Outra Saúde
Estadão