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Organização Mundial da Saúde (OMS) cria comitê com grupo de especialistas para limitar pesquisas e aplicações clínicas da edição genética humana

Definir novos limites para pesquisas e aplicações clínicas da edição genética humana é o principal desafio de um comitê criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A decisão foi tomada depois que o detetor da patente que desenvolveu a técnica da edição, Feng Zhang, enviou uma carta ao periódico britânico Nature solicitando um acordo mundial que estabelecesse limites à edição do DNA.

O comitê, iniciativa pioneira da OMS, contará com um grupo de especialistas que deverão trabalhar durante 18 meses, conduzido por maioria feminina: serão 11 mulheres e 7 homens, uma enorme novidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o número de mulheres dedicadas à ciência cresceu significativamente nos últimos anos, mas ainda assim representam apenas 30% dos pesquisadores em atividade em todo o mundo. E mais: as cientistas ocupam cargos inferiores quando comparados aos níveis mais altos da hierarquia.

Próximos passos

Já neste 19 de março algumas decisões foram tomadas em Genebra, na Suiça. Entre elas, a criação de uma estrutura internacional que seja referência a todos os países que desenvolvem pesquisas em Genética. São três os principais pilares que deverão fundamentar essa referência: transparência, inclusão e responsabilidade.

O grupo de especialistas definiu a criação de um banco de dados (registro central) para que os cientistas divulguem o teor e os objetivos de seus estudos. Esse arquivo estará disponível a todos os interessados que queiram acompanhar os trabalhos em andamento.

CRISPR*

Os cientistas também solicitaram, segundo a carta enviada à Nature, um acordo global para todas as aplicações clínicas da edição da linha germinal dos seres humanos. Traduzindo: solicitaram um limite para a mudança do DNA hereditário, que inclui espermatozoides, óvulos e embriões, para não gerar crianças geneticamente modificadas. Eles referiram-se ao chinês He Jiankui, da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, que divulgou ter editado os genes de bebês gêmeas para torná-las imunes ao HIV, causando um grande impacto na comunidade científica internacional (ele foi demitido e proibido de realizar novos estudos).   

O acordo, segundo os pesquisadores, não deve proibir definitivamente o uso do CRISPR. A proposta tem como finalidade principal a criação de uma estrutura ou instituição internacional com a inclusão de vários países - como deve ocorrer com o novo comitê da OMS.

* Em português Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas, o CRISPR é uma técnica específica para edição genética que pode colocar em risco o futuro do DNA humano.


Para saber mais clique em NATURE.

Fontes:
World Health Organization
Nature
G1

 

Imagem:  olhardigital.com