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O corte de investimentos em Sociologia e Filosofia... Formar pessoas capazes de pensar e decidir não é mais o principal foco de uma Nação?

 

"Priorizar áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte" é a justificativa do Governo Federal que propôs, na última sexta-feira, 28 deabril de 2019, cortar recursos e descentralizar os investimentos para os cursos de Filosofia e Sociologia em todo país.

 

Será mesmo que o atual governo acredita que basta sentar em bancos de escola para aprender a ler, escrever, fazer contas? De acordo com o atual Ministro da Educação, basta.

 

Pensar, refletir, decidir, são inquestionavelmente partes de uma democracia livre e capaz de discutir e exprimir ideias e opiniões sobre todo e qualquer tema.

Segundo a proposta, a nosso ver estapafúrdia, "deve-se concentrar gastos em ofícios que gerem renda para as pessoas, bem-estar para as famílias, que melhorem a sociedade em volta dela, respeitando o dinheiro do pagador de impostos".

 

Entre tantas propostas polêmicas e extemporâneas do governo atual, principalmente relacionadas à educação dos brasileiros, vale ressaltar que os pensamentos e as discussões que envolvem os cursos de Filosofia e Sociologia contribuem de maneira extraordinária para o desenvolvimento dos direitos sociais, políticos e trabalhistas, inclusive com importantes estudos que têm por objetivo reduzir as desigualdades sociais, buscar a justa distribuição de renda, além de ampliar as oportunidades, de trabalho e estudo, para todos.

 

Concordamos integralmente com as notas de repúdio à proposta descabida do Governo Federal (divulgadas pelas entidades abaixo), reconhecemos e valorizamos a incomensurável importância da Filosofia e da Sociologia, como de toda a área de humanidades, para a formação crítica da cultura brasileira.


Acompanhe:

 

Nota conjunta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) e Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).

 

As associações aqui reunidas vêm a público manifestar sua indignação e extrema preocupação face às recentes declarações da Presidência da República e do Ministério da Educação relativas ao ensino da filosofia e das ciências sociais no Brasil.

 

Trata-se de demonstração do mais completo desconhecimento sobre a ciência e sobre a produção do conhecimento cientifico. É tão equivocado e enganoso avaliar as diferentes disciplinas e a reflexão filosófica pela sua aplicabilidade imediata quanto desconhecer a importância histórica das ciências sociais e das ciências sociais aplicadas no desenvolvimento de diferentes tecnologias voltadas à resolução de graves problemas da sociedade.

 

A reflexão das ciências humanas e sociais, incluída a filosofia, tem sido tão crucial para a formulação e avaliação de políticas públicas como para o desenvolvimento crítico das demais ciências. É inaceitável, portanto, que essas disciplinas sejam consideradas um “luxo”, passível de corte em tempos de crise econômica como a que vivemos atualmente no país ou de “rebaixamento” por motivação político-ideológica.

 

Associação Brasileira de Antropologia – ABA
(Maria Filomena Gregori, Unicamp)
Sociedade Brasileira de Sociologia – SBS
(Carlos Benedito Martins, UnB)
Associação Brasileira de Ciência Política – ABCP
(Flávia Biroli, UnB)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – ANPOCS
(Renato Sergio de Lima, FGV)



Nota da SOTER (Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião)

 

 

A SOTER – Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião, vem, por meio desta, representando mais de 600 pesquisadores em teologia e ciências da religião, manifestar repúdio ao anúncio do Governo Federal de desvalorização e de corte de verbas e de cursos na Área de Humanidades, especificamente de Filosofia e Sociologia, em favor de outras áreas.

Entendemos que tal postura se revela contrária as tendências mundiais de aproximação entre áreas de conhecimento, pois mesmo em institutos de excelência em tecnologia, há uma valorização do papel das ciências humanas na formação integral dos profissionais que atuarão na sociedade como cidadãos. A referida manifestação do Governo só colabora para alargar ainda mais uma dicotomia histórica, que a comunidade científica brasileira tem se empenhado para reduzir, por ter consciência da necessidade de uma atuação interdisciplinar entre as áreas.

A SOTER, com isso, reconhece e valoriza a incomensurável importância da filosofia e da sociologia, como de toda a área de humanidades, para a formação crítica da cultura brasileira que possibilitam a compreensão tanto dos fenômenos culturais, como das estruturas sociais, a fim de promover um exercício de cidadania em prol do bem comum. A criticidade acadêmica não deve ser tratada como uma questão ideológica, mas como patrimônio cultural de uma nação.

Diretoria da SOTER
Belo Horizonte, 27 de abril de 2019 

 

 

Imagem capa: Google/Jornal do Radialista