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A proteção ambiental e as relações comerciais do Brasil com a UE. Cientistas de todo o mundo assinam carta publicada na edição de abril do periódico Science

 

A edição do periódico científico Science deste 26 de abril publicou uma carta, assinada por nada menos do que 602 cientistas, solicitando que a União Europeia (UE), segundo maior parceiro comercial do Brasil, condicione a compra de insumos brasileiros ao cumprimento de compromissos ambientais. O documento pede, enfaticamente, que a Europa pare de 'importar desmatamento' do Brasil.

 

O respeito aos direitos humanos, a realização de melhorias no rastreamento da origem de seus produtos e a implementação de um processo participativo que ratifique a preocupação do Brasil com a preservação ambiental e que inclua cientistas, formuladores de políticas públicas, comunidades locais e povos indígenas, foram as principais recomendações do documento.

 

No abaixo-assinado, os cientistas aconselham a União Europeia "a fazer negociações comerciais com o Brasil sob as seguintes condições: a defesa da Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas; a melhora dos procedimentos para rastrear commodities no que concerne ao desmatamento e aos conflitos indígenas; e a consulta e obtenção do consentimento de povos indígenas e comunidades locais para definir estrita, social e ambientalmente os critérios para as commodities negociadas".

 

O brasileiro Tiago Reis, pesquisador sobre questões de uso do solo, políticas de mitigação climática, combate ao desmatamento e cadeias produtivas da Universidade Católica de Louvain (Bélgica), é um dos autores da carta. "A publicação do texto tem como objetivo mostrar às instituições europeias que a comunidade científica entende a questão como prioritária e extremamente relevante", afirmou ele em entrevista exclusiva à BBC News Brasil. Para Reis, a iniciativa é fundamental "sobretudo neste momento em que sabemos que a Comissão Europeia está estudando o assunto e formulando uma proposta que regule a questão da 'importação do desmatamento'".

 

Para finalizar, o documento afirma, ainda, que o atual Governo Federal brasileiro trabalha "para desmantelar as políticas antidesmatamento" e ameaça "direitos indígenas e áreas naturais". Importante lembrar que o abaixo-assinado conta com o apoio de duas entidades brasileiras que, juntas, representam 300 povos indígenas: a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

 

Você sabia?
Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) mostraram aumento de 13,7% do desmatamento da Amazônia no final de 2018, quando comparado aos 12 meses anteriores. O que isso significa? O maior número registrado em dez anos, segundo o levantamento. Ou seja: a Amazônia está sofrendo índices recordes de desmatamento.

 

Veja texto original da Science clicando no link abaixo que disponibiliza, inclusive, a carta e a lista de assinaturas on line:

 

Make EU trade with Brazil sustainable

 

Fontes:
BBC Brasil
Science