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Parkinson & domperidona: cientistas da Unifesp publicam importante estudo na Nature

A domperidona, droga usada comumente para o tratamento do enjoo e ânsia de vômito em pacientes com Parkinson, pode contribuir para o aumento dos riscos de arritmia cardíaca. Esta é a principal conclusão de uma pesquisa realizada por um grupo de cientistas brasileiros e que mereceu destaque no conceituado periódico científico Nature.

Briefing
Foram avaliados, em laboratorio, 36 ratos machos com peso entre 230 e 300 gramas, divididos em quatro grupos em igual quantidade.

Dois grupos receberam 6-hidroxidopamina, composto responsável pelo modelo da doença de Parkinson nos estudos científicos, mas não a domperidona. Os outros dois grupos - um com a 6-hidroxidopamina e outro com uma substância salina (sem eficácia para a doença) - receberam a dose máxima de 80 mg/kg de domperidona.

O monitoramento dos animais foi feito por meio de eletrodos inseridos pela cabeça até o coração, garantindo que esses dispositivos não pudessem ser arrancados pelos roedores.

O grupo de cientistas, orientado por Fulvio Scorza, professor associado do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Unifesp e vice-diretor da Escola Paulista de Medicina, avaliou a reação dos ratos após três dias, cinco dias e depois de duas semanas. De acordo com Scorza, "depois de cinco dias já é possível identificar uma lesão estabelecida, e conseguimos analisar a situação do coração junto com o processo que leva ao Parkinson".

Resultados
Os dados obtidos mostram que o uso da domperidona gera um risco maior de arritmia cardíaca, representando um problema extra para os pacientes com Parkinson, pois sabe-se que aproximadamente 60% deles já apresentam alterações cardiovasculares.

Scorza ressalta que "a mortalidade da doença de Parkinson aumenta de duas a três vezes, em comparação à população em geral, cinco a dez anos após o diagnóstico inicial. Isso é um fato."

Depois de investigar a fundo a literatura o termo "morte súbita" na doença", o professor revelou a existência de evidências que mostram que as mortes repentinas causadas pela doença poderiam ser causadas pelo uso do medicamento - ou até pela combinação da domperidona com outros tratamentos. E acrescentou que novo estudo está em andamento, com ratas, para avaliar se a incidência da doença entre as mulheres é realmente menor, sugerindo (de acordo com outros artigos), que o estrogênio possa star atuando como um hormônio protetor

Futuro
O orientador revelou que mais um estudo, mas dessa vez com ratas, está em andamento, e explicou a razão. A incidência da doença entre as mulheres é menor: a cada três homens, uma mulher é diagnosticada. Investiga-se, assim, se o estrogênio atuaria como um hormônio protetor, já mencionado em alguns outros artigos publicados.

O estudo, assinado pela cientista Laís D. Rodrigues, contou com apoio do Instituto Nacional de Neurociência Translacional (MCTIC/CNPq), FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

VEJA ÍNTEGRA DO ESTUDO:


Cardiovascular alterations in rats with Parkinsonism induced by 6-OHDA and treated with Domperidone


Fontes: Unifesp/Nature