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Agrotóxicos: liberação de produtos dispara e é a maior já registrada no país

O Governo Federal aprovou, em 22 de julho, a entrada de mais 51 agrotóxicos no mercado brasileiro. Detalhe: 17 deles são extremamente tóxicos.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o consumo de agrotóxicos cresceu 700% no país nos últimos 40 anos. E tudo indica que o ritmo de liberação de produtos, atrelado a decisões políticas e não ao fortalecimento dos orgãos reguladores, não vai parar por aí: outras 559 solicitações de registro já foram aceitas pelo governo.
 
Desde 1º de janeiro deste ano já foram liberados 290 pesticidas, 41% deles de extrema ou alta toxicidade e 32% banidos na União Europeia. O volume superou a taxa de 2018, se considerarmos o mesmo período, ou seja, de 1º de janeiro a 22 de julho. De todos os aprovados, 8 são moléculas ou misturas de glifosato, herbicida associado a um tipo de câncer responsável por processos milionários em curso nos Estados Unidos e alvo de polêmica também no Brasil.

Atualmente, 425 ingredientes ativos têm uso autorizado e 2.356 produtos estão liberados para comercialização no país. Foram aprovados ingredientes a base de duas novas moléculas, o sulfoxaflor e o florpirauxifen-benzil. Outros 32 novos ingredientes ativos esperam registro. Entre os pedidos, quatro ainda não foram aprovados em outros países, 19 já estão liberados nos Estados Unidos, 19 no Canadá, 18 na Austrália, 17 no Japão, 16 na União Europeia e 15 na Argentina, segundo a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

A aprovação de um novo produto agrotóxico requer pareceres positivos do Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento (Mapa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas, sabe-se que não foi realizado nenhum concurso público ou deslocamento de pessoal especializado capaz de melhorar o processo de avaliação e liberação destas substâncias dentro da Anvisa.

Importante registrar que um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) mostra que em 2017 (estudo mais recente) o Brasil consumiu 539,9 mil toneladas de agrotóxicos, à base de 329 princípios ativos.

A Sociedade Brasileira de Bioética apoia a iniciativa da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) que, em conjunto com o Greempeace e outras entidades, formou a petição coletiva Chega de Agrotóxicos, pela aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, que já reuniu mais de 1 milhão e seiscentas mil assinaturas.

Fonte: Abrasco