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O (triste) avanço dos casos de sífilis no Brasil

 

Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que o Brasil não conseguiu estancar o número de casos de sífilis congênita no país, crescente desde que as notificações passaram a ocorrer regularmente. Acredite: já é o maior índice desde 2010!

 

Os números mostram que só em 2018, 158 mil casos de sífilis adquirida foram notificados, equivalendo a 75,8 casos a cada 100 mil habitantes. Em 2017, esse índice era de 59,1 casos a cada 100 mil. E mais: dados preliminares referentes a 2019 mostram que não haverá reversão deste número no ano.

 

Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não tenha números atualizados da prevalência da sífilis no mundo, a tendência de avanço da doença é preocupante. Preocupante também é o crescimento no número de casos da doença em grávidas e bebês: segundo a OMS, foram registrados 62,6 mil casos no último ano nas gestantes e 26 mil nos bebês.

 

No Brasil, em 2018, dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (veja link ao final do texto)  apontam que do total de casos de sífilis congênita, 55,1% são de bebês cujas mães passaram por esquema de tratamento considerado "inadequado": elas receberam as ampolas abaixo do necessário ou o início do tratamento foi realizado menos de um mês antes do parto. Outras 26,4% não foram tratadas; 13,4% não tiveram os dados informados e só 5,1% receberam tratamento registrado como "adequado".

 

Sabe-se que a sífilis não é um problema novo, e o tratamento - simples e barato - realizado com a administração de penicilina (Benzetacil), deveria estar disponível para todos os pacientes, além de ser melhor divulgado. Para os especialistas, o que falta mesmo é uma gestão eficaz para controlar o avanço da doença no país. Para eles, embora a identificação dos casos por meio de exames tenha mostrado uma certa melhora, muitos pacientes se reinfectam mesmo após o tratamento, talvez por falta de informação e acompanhamento adequados.

 

Para o Ministério da Saúde, embora haja maior oferta de exames, sobretudo direcionados a gestantes, há outros fatores que colaboram para o aumento de casos, como a redução no uso de preservativo e a ausência de campanhas frequentes e diretas sobre como evitar e como tratar. Segundo a Vigilância em Saúde, o Brasil também tem enfrentado problemas não apenas no abastecimento da penicilina, mas na carência de orientação dada pelas redes de saúde sobre tratamento e teste diagnóstico, além de alguns profissionais ainda mostrarem resistência em aplicar o Benzetacil por receio de eventos adversos associados ao medicamento. 

 

Em tempo

 

Causada por uma bactéria, a sífilis é uma doença silenciosa com diferentes fases. No estágio inicial, os pacientes apresentam pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas, que não doem, nem ardem, e desaparecem semanas depois, dando a falsa impressão de cura. Após uma segunda fase, a doença pode ficar dormente por vários anos, dificultando o diagnóstico, até retornar na sua forma mais grave.

 

Acesse os dados completos do levantamento:

BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO SÍFILIS 2019            

 

 

 

Fontes:

Ministério da Saúde

Folha/Uol