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Cúpula do Clima: atrasos e fracasso após obstrução brasileira

 

Encerrada no último domingo (15/12/2019), a COP 25 mostrou um resultado pífio, talvez já esperado em razão de tantos adiamentos e desentendimentos, resumido num frágil apelo para que os países realizem esforços mais ambiciosos e efetivos contra as mudanças climáticas. Não
houve consenso sobre a redação de um texto que priorizasse a saúde do planeta e da sociedade, capaz de sobrepor-se a picuinhas políticas.

Detalhe: o Brasil foi o principal bloqueador de um consenso que visava regulamentar o artigo 6 do Acordo de Paris, referente à criação de um mercado de carbono que incentivasse ações capazes de reduzir os efeitos das alterações do clima, evidentes em todos os continentes. De
acordo com diplomatas das delegações de países desenvolvidos presentes (cerca de 200 nações participantes), a mudança de tática da negociação imposta pelo Ministério do Meio Ambiente brasileiro foi responsável por dificultar as negociações. Acredite: a "estratégia" brasileira foi
qualificada como "chantagem imatura"...

Mas, tem mais: o Brasil se opôs, de forma inédita, à inclusão das conclusões científicas no texto final da conferência, entre elas, os dados de dois importantes relatórios publicados pelo órgão científico da ONU - Painel Intergovernamental de Mudanas Climáticas (IPCC) - sobre as relações do clima com os oceanos e o solo.

Ao final do encontro, ao menos continuam as esperanças de um acordo global a ser apresentado próxima reunião que deverá ocorrer em Glasgow (Escócia), em 2020. Ela terá como eixo as declarações desta COP25, aprovadas pelo plenário:

- encorajar os países a “aproveitar a oportunidade em 2020” em razão da “urgência de enfrentar as mudanças climáticas”. Entretanto, este apelo não foi explícito devido à resistência dos grandes países emissores de CO2;
- ratificar a “grave preocupação” pela “necessidade urgente” de solucionar a “brecha” que existe entre os planos previstos pelos países e as reduções necessárias para cumprir a Carta de Paris;
- apesar de tantas controvérsias, o Ministério da Transição Ecológica da Espanha considerou que o texto final da COP25 “estabelece as bases” para que “os países apresentem compromissos de redução de emissões” mais ambiciosos em 2020.

Praticamente todos os delegados que discursaram em plenário reconheceram a “decepção” por terem sido incapazes de concluir as negociações. Já a presidência da COP25 admitiu que os textos apresentados não demonstraram “consenso suficiente” para aprovação, e propôs que seja fechado um acordo na próxima cúpula, COP26, em 2020.

Enquanto isso... o planeta aguarda...

Para saber mais, clique em:

UNITED NATIONS - CLIMATE CHANGE - DEC 2019

COP25 DOCUMENTS


Imagem da home: ONU


Fontes:
ONU News
El País Brasil
bbc.com