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O aumento assustador de óbitos entre bebês indígenas com a extinção do convênio entre o Programa Mais Médicos e Cuba, em 2018

 

Entre janeiro e setembro de 2019 foram a óbito 530 bebês indígenas, contabilizando um crescimento inconcebível de 12% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Os números, disponíveis no portal do Ministério da Saúde e de acesso aberto, foram obtidos pela BBC News Brasil com base na Lei de Acesso à Informação. 

 

Depois de atingir níveis historicamente baixos em um período que coincidiu com a implantação do Programa Mais Médicos (Governo Dilma Rousseff, 2013 ), os índices de mortalidade de bebês indígenas voltaram a subir. Os distritos com maior morte de bebês foram: Yanomami (97), Alto Rio Solimões (54) e Xavante (47).

 

Vários fatores podem ser responsabilizados por esse horror, incluindo a política atual do Governo Federal na gestão da saúde e direitos de cidadania dos povos indígenas. Mas, especialmente um deles, apontado inclusive pelos próprios índios e especialistas do setor, foi a extinção do convênio entre o Programa Mais Médicos e Cuba, em 2018.

 

O Programa possibilitou a vinda de médicos cubanos para atuarem principalmente em regiões remotas e mais vulneráveis do país. Os 301 profissionais contratados respondiam por mais de 55% dos postos médicos localizados nas proximidades de regiões indígenas. A partir de janeiro de 2019, quando o Programa Mais Médicos terminou, o óbito dos bebês indígenas deu um salto: foram 77 mortes, o índice mais alto para um único mês desde pelo menos 2010, conforme verificado pela BBC News Brasil.

 

O Governo Federal afirma que realizou a reposição das vagas deixadas pelos cubanos por médicos brasileiros, mas os líderes das aldeias nativas afirmam que o atendimento piorou significativamente.

 

 

Saiba que ...

 

O acolhimento das comunidades nativas é, hoje, realizado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão subordinado ao Ministério da Saúde. A Sesai administra 35 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), que se responsabilizam pelo atendimento de mais de 760 mil indígenas (sobre)viventes em aldeias de todo o país.

 

 

Fontes:
Ministério da Saúde - Saúde Indígena
BBC Brasil