notíciassbb


Cloroquina/hidroxicloroquina: médicos e cientistas divulgam nota sobre protocolo do GF

 

"Uma das razões para o impressionante impacto da pandemia da Covid-19 na saúde mundial é a inexistência, até o presente momento, de vacinas ou antivirais específicos aprovados para prevenir ou tratar a enfermidade, cuja letalidade real ainda nos é incerta, pois depende grandemente da disponibilidade de testagem ampla e da qualidade do serviço de saúde."

 

Esta é uma das mensagens da nota, divulgada por um grupo de médicos e cientistas renomados neste 21 de maio de 2020, sobre o novo protocolo divulgado pelo Governo Federal para a prescrição da cloroquina/hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com COVID-19.

 

O documento, fundamentado em 71 estudos ou artigos publicados pelos mais prestigiados institutos e cientistas do mundo, afirma não haver qualquer evidência científica que comprove, demonstre e sustente o uso da hidroxicloroquina ou cloroquina em todos os estágios da infecção, conforme indica o protocolo do Ministério da Saúde.

 

Os cientistas que subscrevem a nota enfatizam: "A discussão em torno do uso, no Brasil, de um fármaco não recomendado para Covid-19 por todas as sociedades científicas internacionais nos tem levado a vivenciar o epicentro da doença, em escala mundial, impossibilitando a discussão necessária que devem ter os poderes federal, estadual e municipal. A aparente saída de dois ministros da saúde por conta do imbróglio, em meio à crise, tem atrasado processos de compra, ordenamento de despesas, diálogo com Conass e Conasems, fortalecimento do SUS e planejamento concreto da economia do país. É preciso igualmente que se avaliem os conflitos de interesse ligados a essa recomendação quase que impositiva. Empresas que produzem HCQ têm tido alto retorno financeiro, em tempos de carestia econômica para vários setores da economia. Sem uma clara separação entre benefício real para a população e benefícios exclusivos do setor produtivo do fármaco, o debate encontra forte viés, que merece investigação por parte das autoridades."

 

O texto ainda faz outro alerta importante: a prescrição de um tratamento sem comprovação científica de eficácia, mas com riscos de sérios efeitos colaterais, está induzindo o profissional que o prescreve a grave violação de princípios éticos e legais.

 

 

VEJA, NA ÍNTEGRA, O TEXTO ORIGINAL

 

Nota sobre o uso da cloroquina/hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19