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O impacto da pandemia da Covid-19 e o comprometimento do combate à Aids no Brasil: Dirceu Greco fala à Rádio UFMG Educativa

 

Qual o impacto da pandemia da Covid-19 no enfrentamento da Aids no Brasil? Como evitar que a atual crise sanitária e econômica, com o escancaramento das vulnerabilidades sociais e o aumento assustador do desemprego, dificulte o acesso a formas de diagnóstico e de tratamento de outros problemas de saúde? Estas são algumas preocupações dos médicos: que a propagação do novo coronavírus comprometa o avanço da luta contra a Aids, doença causada pelo HIV.

Dados do Ministério da Saúde (MS) mostram que cerca de 900 mil pessoas vivem com HIV no país; dessa população, 135 mil não sabem que estão infectadas pelo vírus.

“A pandemia pode prejudicar o enfrentamento de todas as doenças infecciosas e não infecciosas”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), o médico infectologista Dirceu Greco, em entrevista especial sobre o tema ao programa Conexões, da Rádio UFMG Educativa.

Na conversa com Luíza Glória, realizada em 25 de agosto, Greco afirmou que a sobrecarga atual nos serviços de saúde, especialmente nos órgãos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo diagnóstico e tratamento do HIV no país, se soma a questões anteriores à pandemia: "A desigualdade, a pobreza, o desemprego e a falta de acesso em diversos campos, além, é claro, dos problemas estruturais enfrentados pelo SUS, contribuem para dificultar ainda mais o acompanhamento desse paciente", salienta o professor. "Ele inclusive tem receio de não ser atendido para diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis, já que o SUS está sobrecarregado com casos de Covid-19", completa.

Segundo o presidente da SBB, “muitas pessoas ainda têm medo de testar e descobrir a infecção e por isso relutam em fazer o teste. Muitos, quando recebem o diagnóstico positivo [para o vírus], acham que a vida acabou”. Para o professor, a preocupação é que, com a pandemia, o acesso dessas pessoas que ainda não têm o diagnóstico seja dificultado, retardando o início do tratamento caso o resultado seja positivo.

Acompanhe a íntegra da conversa de Dirceu Greco com Luiza Glória