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SBB participou de webinar sobre vacinas no controle da Covid-19. Assista ao debate completo!

 

Como garantir justiça e igualdade na distribuição de futura vacina contra a Covid-19? Ter uma vacina é garantia da erradicação da doença, principalmente quando consideramos as diferenças socioeconômicas existentes no Brasil e no mundo? Oxford (AstraZeneca), CoronaVac (Sinovac/China), Moderna (EUA), Pfizer/Biontech/Fosun (Alemanha), CanSino (China)... e agora a “Sputinik 5” (Rússia). O que dizer sobre segurança e eficácia com tantos estudos ainda em andamento e alguns ainda iniciando a Fase 3? Qual delas confiar? É possível acreditar na imunidade prometida? Haverá vacinas para todos? E custos? Como será a produção local de uma vacina aprovada?   

Desde a chegada da pandemia no Brasil, uma rede que reúne professores e pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade de Pernambuco (UPE), Fiocruz e Pontifícia Universidade Católica (PUC), além de jornalistas e defensores dos direitos humanos, foi constituída para dar corpo a um movimento chamado Rede Solidária em Defesa da Vida.

A Rede, em parceria com a Marco Zero Conteúdo, realizou no dia 1o de setembro de 2020, uma live com a participação do presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, Dirceu Greco, e Rafael Dhalia, pesquisador da Fiocruz Pernambuco e membro da Academia Pernambucana de Ciências.

O debate, com tema central "O lugar das vacinas no controle da Covid-19: produção, geopolítica e biopoder", contou com a participação de Tereza Lyra, professora da Universidade de Pernambuco e também pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, e foi mediado por Inácio França.

 

Ao citar a recomendação SBB número 01/2020, sobre os aspectos éticos no enfrentamento da Covid-19 em defesa dos mais vulneráveis e do acesso igualitário aos leitos de UTI, Dirceu Greco lembrou que o governo brasileiro retardou, em muito, as ações, firmes, de combate à pandemia desde o primeiro caso no país. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Bioética vários dilemas éticos devem surgir a partir da “disponibilização” de uma vacina: “Quais pessoas irão receber a dose em primeiro lugar? Profissionais da saúde e maiores de 65 anos? Com comorbidades? Como será feita a imunização das pessoas vulnerabilizadas? Como chegar em todas as regiões para garantir uma distribuição qualitativa e sob critérios justos?”, foram algumas das questões levantadas por Greco durante o encontro que, segundo ele, ainda estão sem respostas. Ele lembrou, também, que o país já deveria estar contando com um período de preparação para a fase da distribuição vacinal. E o presidente da SBB fez um alerta: “esta não vai ser a última e nem a mais grave pandemia pelo qual vamos passar, e é preciso não esquecer que neste 1o de setembro, o Brasil atingiu mais de 120 mil óbitos há sete meses do início da pandemia no país, mortes evitáveis e banalizadas por esse (des)governo.” Greco lembrou que “o Brasil é um celeiro representativo para a testagem das vacinas contra o coronavírus em razão da relutância das pessoas em manter o distanciamento e o uso correto de máscaras, tornando o número crescente de indivíduos expostos ao vírus um campo favorável para a testagem de vacinas da indústria farmacêutica”.

 

Raphael Dalia chamou a atenção para o esforço global, inédito, na pesquisa e desenvolvimento de uma vacina em médio espaço de tempo, capaz de garantir eficácia e segurança na imunização da população frente ao Covid-19. Alertou que, em razão dessa corrida, o que se observa, hoje, é que nem todas as etapas de testes para a vacina estão sendo observadas ou seguidas. "Em razão do nosso alto grau de transmissibilidade, o Brasil se transformou num grande celeiro de oportunidades para a testagem das vacinas". Mas, alerta: "Só o tempo poderá dizer se essas vacinas irão funcionar ou não, por quanto tempo serão eficazes, e se apenas uma dose será necessária para imunizar por um determinado tempo. Temos um longo caminho pela frente."

 

Ao lembrar o desmatamento acelerado atual da Amazônia, Thereza associou esta agressão à natureza ao surgimento de novos vírus no ambiente: "Todos estaremos expostos a eles num futuro próximo, o que exigirá uma nova postura frente a esse desrespeito com o planeta." E garante: "Não podemos pensar em voltar ao antigo normal, é preciso considerar seriamente que devemos criar um novo normal, aproveitando a oportunidade que esta pandemia nos está oferecendo de repensarmos nossa relação com o meio ambiente que vivemos." Para a professora, o governo brasileiro falhou no enfrentamento à Covid-19 principalmente pela ausência de um comando único, fundamental, e não observado em nenhum momento desde o primeiro caso no país: “Quem deveria estar no comando, em tempo integral, em benefício da população, esteve muito mais aliado ao vírus do que à saúde”, completou.

 

 

Se você perdeu, assista às palestras e ao debate, na íntegra, AQUI