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Povos indígenas e Covid-19: assista os debates da live da SBB-Regional PE, com a participação de Nadia Akawã Tupinambá (Liderança, Aldeia Tukum, Bahia)

 

 

 

“Os governos possuem o dever de incluir pessoas que são marginalizadas e que podem enfrentar risco de omissão, exclusão ou desigualdade, e não devem deixar ninguém para trás no enfrentamento à pandemia da Covid-19".  Este é o mote das Diretrizes Relativas à Covid-19, publicadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um alerta para o avanço da Covid-19 entre a população indígena na América do Sul, indicando que a taxa de mortalidade é superior ao restante da população: "Os relatos de casos de Covid-19 entre os povos indígenas estão aumentando em toda a região (sul-americana), com um índice de mortalidade relatado maior neste grupo em comparação com os povos não indígenas", ressaltou a Organização.

 

Ciente da urgência de ações, efetivas, que priorizem a atenção específica a essa população, a Sociedade Brasileira de Bioética (Regional Pernambuco) realizou em  2 de setembro, uma live com o tema “Os povos indígenas no Brasil e os desafios no combate ao novo coronavírus".

 

Participaram desse encontro Saulo Ferreira Feitosa (Universidade Federal de Pernambuco), Nadia Akawã Tupinambá (Liderança, Aldeia Tukum, Bahia), Cacique Ramon e Júlio Cesar de Sá da Rocha (Universidade Federal da Bahia). O debate foi moderado por Reinaldo Ayer de Oliveira (diretoria da SBB).

 

“Pluralidade étnica e vulnerabilidade social no contexto da pandemia” foi o tema abordado por Saulo;  Nadia falou sobre “Resistência dos povos indígenas e os desafios no combate ao Covid-19”; e Júlio Cesar abordou “Direitos indígenas e retrocessos atuais”. O tempo foi exiguo para dar espaço a todas as falas e discussões extremamente pertinentes do encontro, que foram acompanhadas pelo presidente da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), Dirceu Greco.

 

Saulo, ao iniciar o evento, lembrou que os povos indígenas sempre foram castigados pelo estado brasileiro. "Hoje, são os mais plurais do Brasil, somando perto de 900 mil integrantes, com mais de 275 idiomas nativos", explicou. “Se os governantes percebessem essa pluralidade tornariam um país com direitos iguais, possibilitando uma forma de vida digna a todos”, completou. Para ele, “A negação desses direitos é uma tentativa de apagar vários deles,  conseguidos com enormes sacrifícios durante tantos anos.” Saulo lembrou que a repercussão da epidemia dentro das aldeias foi muito grande e que eles estão enfrentando a luta contra a Covid-19 praticamente isolados, sozinhos, esquecidos pelo governo brasileiro.

 

As participações da líder Nadia e do Cacique Ramon nos debates foram impressionantes e enriquecedores, ratificando o quanto os povos originários são resilientes e vencedores, apesar de todas as dificuldades que enfrentam neste país para manter vivas a sua origem e suas tradições. Ambos demonstraram uma sabedoria inquestionável na realidade dos problemas vividos em seu dia a dia, agravados extremamente com a pandemia, além do inconcebível e consistente abandono do Governo Federal. 

 

"Quando eu cuido de mim eu cuido do outro", afirmou Nadia. Esta reclusão “compulsória”, para ela, “estimulou uma profunda e diferenciada reflexão sobre como os povos indígenas são desconsiderados no país, e aumentar a consciência das pessoas sobre o quanto somos esquecidos e desvalorizados.” E acrescenta: “Hoje, muito mais do que uma guerra epidemiológica, estamos vivenciando a tentativa, nada velada, de realizar uma limpeza étnica e, no foco, os mais vulneráveis são os indígenas. O dano cultural é inimaginável.”

 

Júlio questionou: “Como negar ao outro o direito de assumir suas ações originárias? Eticamente precisamos decidir: vamos respeitar tradições e o modo de vida do outro ou vamos negar a ele a cidadania? Racismo silencioso, velado, contra os povos indígenas é um racismo não registrado mas extremamente violento, porque nega aos povos originários o direito de ser!”

 

Para Ayer, Nádia e o cacique Ramon foram fortes, firmes e marcantes em suas falas, estimulando a resistência dos povos originários para grandes transformações.

 

 

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