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Saúde e Educação brasileiras perdem o médico, professor e pesquisador Hesio de Albuquerque Cordeiro

 

Em nome da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), e com grande pesar, me associo a todas e todas que já se manifestaram quando do falecimento do Professor Hésio Cordeiro. O país perde uma liderança inconteste pela reforma sanitária no Brasil, com extensa e profícua carreira como educador e médico. Teve papel primordial na estruturação do Sistema Único de Saúde, com defesa intransigente da saúde publica de qualidade, integral, universal e como um direito de todas e todos. Seu exemplo e seu papel como cidadão, pesquisador e orientador foi fundamental para que o Brasil tenha uma massa crítica de sanitaristas, professores e pesquisadores com atuação em todo o país e com reconhecimento internacional. Minhas condolências para toda a família em momento sempre tão triste. Ele nos fará muita falta. Hésio Cordeiro presente!

 

Dirceu Greco – Professor Emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, Presidente da Sociedade Brasileira de Bioética (2019-2021)

 

 

Pioneiro na luta pelo sistema público de saúde e por uma educação de qualidade acessível a todos, Hesio reuniu, ao longo de sua vida, inúmeras funções e atividades que o destacaram durante sua extensa e intensa trajetória não somente como professor dedicado, mas como médico profundamente envolvido com a saúde da população.

 

Filho de Aílton Cordeiro e Yette de Almeida e Albuquerque Cordeiro, Hesio de Albuquerque Cordeiro nasceu em 21 de maio de 1942, na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da então Universidade do Estado da Guanabara no ano de 1965, tendo realizado residência em Clínica Médica no ano seguinte.

 

 

Trajetória: dedicação integral à Medicina e à Educação

 

Uma bolsa conjunta concedida em 1969 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) permitiu que Hesio, então um jovem pesquisador, realizasse cursos e visitas técnicas às escolas de Medicina Preventiva nos Estados Unidos. O conhecimento adquirido e as relações de cooperação estabelecidas foram centrais para que, na já Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Hesio fundasse o Instituto de Medicina Social (IMS) em 1971, junto com Nina Pereira Nunes e Moyses Szklo.

 

Entre 1971 e 1978 trabalhou como consultor da Organização Panamericana da Saúde (OPAS) para atividades de organização de serviços de saúde, tecnologia e recursos humanos, atuando em vários países, como Argentina, Peru, Equador, Venezuela, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, México e República Dominicana, sem nunca deixar os vínculos com o IMS/UERJ.

 

Hesio integrou o Grupo de Trabalho para o Programa de Saúde, da Coordenação do Plano de Ação do governo do presidente Tancredo Neves para ampliação e organização do sistema de saúde do país. Sua central atuação o alçou ao cargo de presidente do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social, INAMPS, exercido de 1985 a 1988.

 

Junto com Sérgio Arouca, coordenou e presidiu os trabalhos da VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986, outro marco do Movimento pela Reforma Sanitária brasileira e que pautou na sociedade a saúde como dever do Estado, a universalização e a integralidade nos cuidados de toda a população com ativa participação e controle dos serviços de saúde por seus usuários – elementos que comporiam o capítulo da Saúde da Constituição Federal de 1988. Neste mesmo ano, Hesio recebeu o título de doutor honoris causa da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) por suas contribuições.

 

O papel de professor, sempre dedicado foi ampliado em 1992, quando foi nomeado reitor da UERJ, após ter ganho a eleição direta. Conduziu os rumos da Universidade até 1995, quando liderou uma grande iniciativa de formação de professores das redes públicas em parceria com as demais instituições de ensino superior do Estado.

 

Aposentou-se pelo IMS/Uerj em 1996 e tornou-se coordenador de saúde da Fundação Cesgranrio e assessor técnico do Ministério da Saúde para o Programa de Saúde da Família. Em 1999, Hesio foi Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro. De 2000 a 2006, dirigiu o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estácio de Sá, na qual também foi coordenador do programa de pós-graduação em Saúde da Família. De 2007 a 2010, foi diretor de gestão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sendo sua última contribuição à vida pública do país.

 


Fonte: Abrasco
Foto: Flaviano Quaresma/Abrasco