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'Fóssil do dia': COP26 premia Brasil por 'tratamento horrível e inaceitável' aos povos indígenas, comprovado pelo discurso de Txai Suruí


Txai Suruí, indígena de Rondônia, foi a única brasileira a discursar na abertura da COP26
Foto: Gabriel Uchida/Arquivo pessoal

 

 

Acredite: O Brasil é "laureado" como 'Fóssil do dia' pela sexta vez nos últimos anos. O "prêmio" é concedido de forma irônica, desde 1999, por ativistas ambientais, àqueles países que fazem o 'seu melhor' para bloquear o progresso nas negociações das conferências climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

A escolha foi realizada na última sexta-feira, 5 de novembro, depois que o presidente Jair Bolsonaro criticou a ativista indígena brasileira Txai Suruí* por seu discurso do dia 1º de novembro, durante a conferência. Firme e contundente, Surui relatou a realidade que os povos indígenas enfrentam no país com o impacto das mudanças climáticas.

 

Como esperado, incomodado com a sinceridade da fala de Suruí, o presidente não citou a indígena nominalmente, mas afirmou: "levaram uma índia [sic] para lá, para substituir o Raoni, para atacar o Brasil".

 

Em comunicado à imprensa, os membros da Rede de Ação do Clima (CAN, na sigla em inglês), comentaram a escolha e afirmaram: "infelizmente a fala de Txai Suruí não caiu muito bem em casa, onde ela foi publicamente criticada pelo presidente brasileiro Jair Bolsanaro, por 'atacar o Brasil'."

 

Os ativistas da CAN também criticaram a ausência do presidente brasileiro em Glasgow:"Preferiu visitar sua casa ancestral na Itália e sair com um líder de extrema direita". E completaram, ironicamente: "Na realidade, Bolsonaro não ter comparecido foi até mesmo um bom sinal, pois permitiu que os diplomatas do país viessem prontos para se comprometer e até mesmo assinar acordos sobre metano e florestas".

 

Outros países "Premiados" como o fóssil do dia este ano, no COP26, foram: Austrália, Reino Unido, Noruega, Japão, Estados Unidos, França e Polônia.


* Txai Suruí tem 24 anos e é do estado de Rondônia, região norte do Brasil. Fundadora do Movimento da Juventude Indígena do seu estado, a estudante de Direito foi um dos destaques da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP26. A ativista indígena brasileira afirmou que os líderes globais "fecharam os olhos" para as mudanças climáticas. Foi uma das primeiras pessoas a discursar no dia 1 de novembro, na cúpula que acontece em Glasgow, na Escócia. Falou antes mesmo do secretário-geral das Nações Unidos, António Guterres. Txai Suruí fez um apelo por ações climáticas já e não em 2030, nem 2050. 

 

ACOMPANHE O DISCURSO DE TXAI SURUÍ NA ÍNTEGRA

Fontes: ONU/g1