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Dia da Consciência Negra faz 50 anos: a luta contra o racismo e a desigualdade social continua presente e urgente

 

 

Índices divulgados pelo Atlas da Violência mostram que, no Brasil, os negros representam mais de 75% das vítimas de homicídio. E mais: um levantamento realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PENUD) demonstra que os negros são os maiores alvos da violência policial no país.

 

Neste sábado, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra*, vários protestos serão realizados pelo país para destacar o quanto a desigualdade impacta no dia a dia dos mais vulneráveis, especialmente da população negra, na busca pelo emprego, por salário justo, pela liberdade de ir e vir sem receio de ser alvo de discriminação, enfim, pela garantia de direitos iguais por educação, trabalho e saúde. Mudanças radicais nas atuais políticas públicas são fundamentais para confrontar as contradições socioeconômicas e culturais presentes na sociedade brasileira.

 

Para a pesquisadora Fernanda Lopes, do Grupo de Trabalho Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a questão do subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente considerando o período da pandemia de Covid-19, afetou de maneira implacável a população negra "porque é ela que mais depende dos serviços que compõem a rede do SUS”. O risco dos negros virem a óbito por Covid é quatro vezes maior do que a população branca, destacou a pesquisadora. Nada foi feito, efetivamente, para mitigar o efeito da pandemia na população negra.

 

Em seu e-book População Negra e Covid-19 – Rebelião Negra (download gratuito ao final deste texto), o Grupo de Trabalho Racismo e Saúde da Abrasco também mostra que a pandemia tem cor e afirma que 133 anos após a “Abolição”, os negros ainda lutam por seus direitos: “A saúde é o resultado de um conjunto de condições individuais e coletivas influenciado por circunstâncias de ordem política, econômica, ambiental, cultural e social. Logo, em muitas situações, a doença e a morte não são obras do destino ou fatalidade, mas, sim, de violação dos direitos”, afirma o texto em um de seus capítulos.

 

Manifestações para este sábado, 20 de novembro, estão sendo preparadas por diversas entidades jurídicas sobre a garantia de direitos como questão básica e essencial, estimulando reflexões e ações contra o chamado “racismo governamental" que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo, "é responsãvel por mortes e perdas de direitos da população negra”.

 

*O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, resgata a trajetória de Zumbi dos Palmares, quilombola que liderou a resistência do Quilombo dos Palmares contra os portugueses no século XVII. Sua liderança lhe conferiu o símbolo da luta dos negros contra a escravidão no Brasil.

 

ACESSE:  POPULACAO-NEGRA-E-COVID-ABRASCO-2021

 

Em tempo

 

Entre os dias 20 e 22 de novembro acontece a 1ª. Expo Internacional Dia da Consciência Negra de São Paulo, no pavilhão do Anhembi, promovendo um ciclo de debates nas mais diversas áreas: saúde, economia, justiça, cultura e tecnologia. Objetivo: reunir especialistas e autoridades do Brasil e de outros países para conscientizar a população sobrea importância do debate e das ações de combate ao racismo estrutural no país e na América Latina.

 

Acompanhe a Programação dos 3 dias da exposição



Fontes: Abrasco/Agência Senado

 

Imagem: Google