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MS decreta fim da pandemia no Brasil, contrariando - novamente - orientações de cientistas e da OMS

No último dia 17 de abril, Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, anunciou o fim da situação de emergência sanitária no Brasil, provocada pela pandemia de Covid-19. E foi além: afirmou que vai editar um ato normativo para encerrar oficialmente a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional - ESPIN.

 

A medida contraria a declaração, unânime, dos principais cientistas mundiais, que afirmam categoricamente que a pandemia ainda é uma realidade e que este ainda não é o momento de anunciar - e assegurar - o fim da emergência internacional.

 

Segundo orientações do Comitê de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Covid-19 continua sendo "um evento extraordinário que afeta negativamente a saúde das populações em todo o mundo, representando um risco contínuo de propagação internacional e interferência no tráfego internacional, e requer uma resposta internacional coordenada". Ou seja, a emergência internacional continua.

 

Didier Houssin, presidente do Comitê, faz um alerta: "Estou preocupado com o crescente cansaço entre as comunidades em todo o mundo em resposta à pandemia e os desafios colocados pela falta de confiança na orientação científica e nos governos". E o Comitê reconhece: "SARS-CoV-2 continua a ter uma evolução viral imprevisível, agravada por sua ampla circulação e intensa transmissão em humanos, bem como a introdução generalizada de infecções em uma série de espécies animais com potencial para o estabelecimento de reservatórios animais".

 

Para Houssin, "O SARS-COV-2 continua a causar altos níveis de morbidade e mortalidade, particularmente entre as populações humanas vulneráveis. Neste contexto, o comitê levantou preocupações de que o uso inadequado de antivirais pode levar ao surgimento de variantes resistentes às drogas".

 

Os membros do Comitê ainda demonstraram preocupação com o relaxamento de alguns governos com as medidas de conteção da propagação do vírus, como a retirada da obrigatoriedade de uso de máscaras e a redução - drástica - na aplicação de testes, o que impactaria "na capacidade global de monitorar a evolução do vírus com o surgimento de novas cepas".

 

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, depois de avaliar as recomendações do Comitê, emitiu uma nova série de orientações aos governos, solicitando, entre outros tópicos, "reforço na resposta nacional à pandemia de Covid-19 e atualização dos planos nacionais de preparação e resposta, de acordo com as prioridades e cenários potenciais delineados no Plano Estratégico de Preparação e Resposta (SPRP) da OMS de 2022".

 

Novamente o governo brasileiro atual vai na contramão da ciência e dos órgãos de saúde nacionais e internacionais competentes e decide, de forma autocentrada, que a epidemia de Covid-19 no país é passado...

 

Fonte: OMS