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Brasil: o desmonte nacional instituído por este governo, impõe uma tragédia sem precedentes para brasileiras e brasileiros

 

O projeto ultraneoliberal, do qual o presidente da República nada mais é do que um fantoche hilário, continua a produzir miséria, dor, fome, doença, ignorância e injustiças

 

 

A maioria das pessoas parece não ter percebido ainda
a gravidade da situação do país

 

Elda Bussinguer*

 

Vivemos, no Brasil, o drama da miséria, da fome e da extrema pobreza fomentada por um projeto ultraneoliberal que nos legou riqueza para poucos e miséria para muitos.

 

O que hoje nos parece uma tragédia sem precedentes é apenas o prenúncio de uma catástrofe anunciada de dimensão incalculável que terá sérias repercussões no futuro da nação, ameaçando nossa soberania, nossa capacidade de desenvolvimento e de construção de um projeto de país em conformidade mínima com o atual estágio civilizatório de um mundo do qual se exige alta competência para enfrentar os desafios que se apresentam cada vez com maior complexidade.

 

A gravidade da situação parece, ainda, não estar sendo percebida pela maioria das pessoas. Nem mesmo os mais articulados intelectual e politicamente conseguem dimensionar o tamanho do drama que se avizinha e que terá desdobramentos na história do país e na vida das pessoas.

 

Enquanto iludidos nos digladiamos com amigos, familiares, colegas de trabalho e irmãos na fé a debater a pauta moralizante de um governo imoral, os verdadeiros interessados em nos manter ocupados com as desavenças e cizânias, que nada representam para a construção de uma pátria onde reine liberdade, justiça e vida digna para todos, continuam a usurpar todas as riquezas ainda existentes e que sobraram do saque continuo e persistente que vimos sofrendo desde a colonização do Brasil e a transferência de nossas riquezas para Portugal.

 

O projeto ultraneoliberal, do qual o presidente da República nada mais é do que um fantoche hilário a produzir risos sardônicos e perversos naqueles que verdadeiramente se encontram no comando do país, continua a produzir miséria, dor, fome, doença, ignorância e injustiças.

 

Quando pensamos que o fundo do poço já foi encontrado e que nada mais há de tragédia para nos ser apresentado, somos “surpreendidos” com novas notícias do desmonte nacional.

 

São tantas e diversificadas as estratégias que não há tempo, nem força suficiente para entabular uma conversa a respeito ou articular alguma ação que possa representar qualquer tipo de resistência. Não há tempo suficiente para respirar entre uma onda e outra em um mar revolto por uma tempestade contínua e persistente.

 

Somos hoje 212,6 milhões de habitantes no país. Destes, apenas 62 (0,00003% da população) se enquadram na categoria de bilionários, 185,6 mil (0,08%) de milionários, 27 milhões (12,8%) de miseráveis e 15 milhões (7,5%) passando fome.

 

São mais de 14 milhões de pessoas desempregadas. O aumento do trabalho informal, sem qualquer tipo de segurança, vai produzindo uma geração de pessoas, quase 50% da população, que trabalha sem as condições mínimas de dignidade, ocupando suas horas de lazer, descanso e compartilhamento com a família, na busca de obter ganhos suficientes para, tão somente, sobreviver.

 

Enquanto a saúde, o alimento, a educação e a dignidade vão desaparecendo da vida dos brasileiros, uma pequena parte dos habitantes desse país tão belo, pujante, repleto de água, de terras, de riquezas naturais, vai se tornando cada vez mais rica, insensível à dor, à miséria e à fome.

 

Produzir a morte física e emocional de tantos, pouco importa para aqueles que têm como único projeto de vida a acumulação de riquezas.

 

O futuro nos mostrará o saldo negativo, o custo desse projeto de morte o qual não formos capazes de resistir, interrompendo o ciclo de perversidades produtoras de vergonha, indignidade e dor.

 


* Elda Bussinguer é presidenta da Sociedade Brasileira de Bioética, pós-doutora em Saúde Coletiva (UFRJ), doutora em Bioética (UnB), mestre em Direito (FDV) e coordenadora do doutorado em Direito da FDV.

 

Publicado pelo Jornal A Gazeta (ES), edição de 24/05/2022.

 

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