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Grupo de profissionais retoma - de forma independente - força tarefa para enfrentamento da Covid-19 em BH

Alertar a população de que a pandemia de Covid-19, efetivamente, não acabou, foi o objetivo da retomada dos trabalhos de um grupo de profissionais de Belo Horizonte, dois meses após o encerramento do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 pela própria prefeitura local. A reunião de retorno desta força-tarefa - Comitê Popular Beagá de Combate à Covid*, iniciativa exclusiva do grupo, foi realizada em maio de 2022. Detalhe: a prefeitura de BH (PBH) não apoiou e nem tampouco auxiliou essa retomada. 

 

Para o infectologista Unaí Tupinambás, integrante do novo Comitê Popular Beagá de Combate à Covid, o aviso é necessário porque Belo Horizonte, "após ter se destacado como uma das capitais que melhor enfrentou a Covid no Brasil, perdeu um pouco a mão." Segundo o médico, causou estranheza a mudança na divulgação dos dados sobre a pandemia e as orientações para evitar o contágio: “Acostumados com a postura proativa e assertiva (da prefeitura), toda a população estranhou a mudança brusca na publicação dos dados epidemiológicos da PBH e a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscara nos locais fechados”. E alertou: “Negar o cenário pandêmico não é o melhor caminho no momento, mesmo considerando o cansaço das pessoas em ter que usar a máscara e os impactos econômicos e sociais sofridos por todos com a situação”.

 

Tupinambás ainda alerta para o fato de que a população precisa estar informada e ciente de que os casos de Covid-19 estão aumentando: “Com menos casos graves, mas existe a Covid longa ou pós-Covid, que ainda é um desafio. No Reino Unido, dois milhões de britânicos estão sofrendo com a Covid longa, e isso impacta a assistência das UPAs”.

 

Várias razões, para o infectologista, são responsáveis pela explosão de casos pós-pandêmicos. Entre eles, destaque para a suspensão do uso de máscara em locais fechados, e a própria estação outono/inverno, quando as pessoas se aglomeram em locais fechados e pouco ventilados, facilitando a circulação de vírus respiratórios. “Outro ponto crítico é a capacidade da variante Ômicron de invadir a resposta imune vacinal e de infecções prévias. Assim, é importante frisar que três doses protegem contra a forma grave, mas não protegem da infecção. Quem não atualizou o calendário vacinal, deve procurar uma UBS”, ratificou o especialista.


*Formação do Comitê Popular Beagá de Combate à Covid

 

Além dos infectologistas Unaí Tupinambás, Estevão Urbano e Carlos Starling, o Comitê Popular Beagá de Combate à Covid contará com a professora e pediatra Cristina Cristina Alvim (Comitê UFMG); o epidemiologista Henrique Guerra; e o professor emérito da UFMG Dirceu Greco.

 

Também irão participar do grupo a Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia, a Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais, o Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte, o Diretório Central dos Estudantes da UFMG, o Instituto Helena Greco, o Observatório de Políticas e Cuidados em Saúde da UFMG, a Pastoral da Saúde, o Conselho Regional de Psicologia, o Sindicato dos Enfermeiros de Minas Gerais e o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais.

 

 

Fonte: portal O Tempo