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Reflexões sobre a desigualdade e a grave crise social global foram temas de encontro realizado pelo CRIS-Fiocruz

Quatro são as crises de saúde que o mundo enfrenta atualmente: a pandemia em si, a crise climática (que impõe a fome às populações vulnerabilizadas), a falência total da política social e a desigualdade global. Estes foram os principais pontos que o americano Jeffrey Sachs abordou em um seminário promovido pelo Centro de Relações Internacionais em Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (CRIS-Fiocruz), em 27 de julho de 2022.

 

Sachs, um dos grandes economistas contemporâneos e convidado especial para o debate, afirmou que todas as quatro grandes crises sanitárias do planeta têm, na origem, "a concentração de riquezas e um sistema de produção que se tornou disfuncional." Para ele, a pandemia de Covid-19, com suas consequências sociais e econômicas, criou sérios entraves para que o mundo pudesse atingir, até 2030, as 17 metas globais inseridas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. 

 

Para o economista, os quase 15 milhões de pessoas que vieram a óbito em razão da pandemia já é uma prova indiscutível de que os governantes falharam com a população no que - todos sabemos, é o mais básico: a garantia da vida.

 

Em sua fala, Sachs também referiu-se à crise climática, um fato catastrófico real, que afeta os países de uma forma geral. "A velocidade com que eventos extremos acontecem está aumentando drastricamente – como as ondas de calor intenso na Ásia e Europa. Seres humanos estão morrendo por poluição, queimadas, alagamentos. A fome se alastra por perdas de safra causadas pelo clima", alerta. Acredita que este destempero climático acelerado ratifica, novamente, a falência da cooperação mundial para solucionar problemas urgentes e a dificuldade em aceitar que é preciso agir. As decisões, globais, são inadiáveis.

 

Nas palavras do palestrante, convive-se com outra crise ainda mais trágica: a guerra, ou "a falência total da política", como ele caracteriza. "O conflito evitável na Ucrânia não é grave apenas porque prejudica a produção de alimentos, energia e fertilizantes, mas porque se trata puramente de demonstração de poder tola de duas potências", acrescentou.

 

Segundo Sachs, "o mundo está gastando uma quantidade absurda de recursos e tempo enquanto deveria focar em resolver problemas reais". E vai além: expõe a última e pior crise de saúde que o mundo atravessa, ou seja, a da desigualdade, avaliando que, hoje, esta é a principal causadora de mortes: "Se a estimativa de vida na Europa é de mais de 80 anos, na África é de cerca de 60 anos, e a explicação é simples: as pessoas estão morrendo puramente em razão da pobreza." Indigna-se: "É uma vergonha que os países ricos não estejam ajudando a financiar os sistemas de saúde mundo afora, enquanto os pobres morrem por desnutrição e ausência total de assistência médica." E finaliza: "A saúde é um direito humano estabelecido pela ONU, que está sendo ignorado."

 

O debate, mediado por Paulo Gadelha (Fiocruz), contou ainda com as palestras de Maria Luisa Marinho (Comissão Econômica para América Latina e Caribe - Cepal), Santiago Alcázar (Fiocruz) e Freida M'Cormack (Comissão Econômica para a África - CEA).


Para assistir, na íntegra, o encontro com Jeffrey Sachs e convidados (tradução simultânea), clique AQUI * 

 

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Fonte: Fiocruz