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Cidadania, liberdade, autonomia e os desafios da Bioética à frente das desigualdades: Congresso Internacional Ibero-americano

 


Com o tema Bioética em um Mundo de Fragilidades, o Programa de Pós-graduação em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a Revista Iberoamericana de Bioética e a Regional Paraná da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB-PR) deram início nesta terça-feira, 8 de novembro de 2022, aos trabalhos dos dois eventos virtuais de enorme relevância: IV Congresso Internacional Ibero-americano de Bioética e X Congresso de Humanização e Bioética.

 

O Congresso Internacional, maior evento em Bioética da América Latina, é amplamente conhecido por sua representatividade em edições anteriores. Reúne pesquisadores renomados e experientes em bioética, além de pesquisadores jovens, provenientes da graduação e do stricto sensu de diferentes países. Nacionalmente, o encontro atrai estudantes de diferentes instituições acadêmicas e profissionais de diversas áreas da saúde e afins.

 

Anor Sganzerla, cooordenador geral do evento, ao abrir os trabalhos. agradeceu a presença virtual dos palestrantes, entrevistados, mediadores e debatedores que aceitaram o convite para participar desse momento, além dos congressistas inscritos.

 

Para ele, a escolha do tema central do congresso, Bioética em um Mundo de Fragilidades, Guerras e Pandemias, Novas Cidadanias, Novas Políticas e Saúde Planetária, foi extremamente oportuna: “As fragilidades atuais, sobretudo aqui no Brasil, como a intolerância, a violação dos direitos humanos, a degradação do meio ambiente, a utilização de seres humanos em pesquisa sem consentimento, são feridas que continuam a sangrar todos os dias”, alertou o professor. “Mas, apesar deste triste cenário brasileiro, nosso congresso costuma ser um momento de celebração, da importante troca de experiências e renovação das energias, sempre com resultados intensamente positivos”, garante Sganzerla.

 

Entre os palestrantes convidados para este primeiro dia do evento, a presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, Elda Bussinguer, abriu o encontro e os debates com uma conferência inaugural sobre “Bioética e Cidadania Global”.

 

“Nós resistimos à barbárie. Talvez, resistir à barbárie, resisitr ao retrocesso dos patamares civilizatórios que alcançamos, com duras lutas, com lutas muitas vezes sangrentas, que muitas vezes nos desconstituíram como pessoas, talvez seja o maior desafio da bioética na atualidade”, foi o início de sua fala.

 

Para ela, “Muito além dos dilemas morais, aos quais nós, os bioeticistas, nos acostumamos a nos debruçar, no exercício reflexivo sobre, por exemplo, o início e o fim da vida, dentre tantos outros dilemas que nos deparamos ao longo - da curta, ainda - trajetória da bioética, diria que é necessário pensar no maior dos desafios a que a bioética está convidada a pensar e a agir: cidadania e desigualdade”, enfatizou a presidente da SBB.

 

Segundo Bussinguer, “Cidadania pressupõe liberdade, autonomia, participação, ter voz e não ter medo. Pressupõe ter direitos sociais, direitos humanos, direitos fundamentais. É preciso pensar numa bioética global, que valorize a liberdade, que valorize a igualdade, que valorize a justiça, uma bioética capaz de denunciar, mas também capaz de intervir na realidade política, na realidade social, pois não é possível continuar com esses segmentos da sociedade, onde uns têm tudo e outros não têm nada.” E ratificou: “A bioética precisa fortalecer-se como instituição. Nenhuma luta pode ser vencida na individualidade, elas devem ser coletivas.”

 

Durante a tarde, também ministraram palestras Jorge Ferrer (Porto Rico), que abordou “Cidadania Global e Fraternidade”; Carolina Montero Orphanopoulos (Chile), com o tema “Cidadania global e vulnerabilidade”; e Thiago Assunção (Brasil), que falou sobre “Cidadania global e cooperação internacional”.

 

O final deste primeiro dia do Congresso ainda contou com uma entrevista especial sobre “Ecologia e Saúde Global”, com as participações de David Curbelo Pérez (Espanha) e de José Roque Junges (Brasil), sob a coordenação de Marta Luciane Fischer.

 

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