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Opioides: tudo pelo lucro

 

Dados de um relatório divulgado neste 13 de fevereiro de 2018, em Washington, demonstram que algumas empresas farmacêuticas teriam contribuído para o aumento no número de mortes nos Estados Unidos provocadas pelo consumo desenfreado de medicamentos opiáceos.

Utilizados como analgésicos narcóticos, essa classe de medicamentos apenas mascara a dor, sem curar. Como produz um alívio passageiro, causa uma sensação de bem-estar e, por essa razão, têm um poder viciante incontrolável comprometendo, em médio prazo, o sistema respiratório, e até mesmo provocando a morte.

O relatório ressalta, ainda, a capacidade dos fabricantes de opiáceos em "nortear a opinião pública” para esse consumo, demonstrando o envolvimento de grandes empresas do setor na chamada “epidemia de overdoses“. Segundo esse levantamento, os números de óbitos dispararam nos últimos anos: 340 mil americanos morreram desde 2000 por problemas relacionados com o consumo desses medicamentos.

Empresas farmacêuticas de grande porte ignoram essas "provas" e estão sendo processadas por estados, cidades e condados americanos, acusadas de estimular a epidemia minimizando os riscos de abuso, dependência e overdose de alguns analgésicos conhecidos dos americanos.


Em tempo

Tanto nos EUA quanto no Brasil, os opioides exigem receita médica para serem consumidos, embora isso não impeça as pessoas de obter o medicamento por outros meios, como diretamente nas farmácias e drogarias ou com seus próprios médicos. 

Dados da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) mostram que entre agosto de 2015 e agosto de 2016, os brasileiros ingeriram 40 milhões de doses. Conclui, também, que o faturamento da indústria farmacêutica com os analgésicos narcóticos pulou nesse período no país de R$ 17,5 milhões em 2012 para R$ 40 milhões em 2016, confirmando um crescimento nas vendas superior a 125%.

 

Veja, na Tabela abaixo, o nome de alguns medicamentos vendidos na Brasil contendo drogas tipo ópio (naturais ou sintéticos) nas suas formulações (Fonte: Dicionário de Especialidades Farmacêuticas – DEF 1990/91).

 

 

 


Fontes:
Relatório da senadora Claire McCaskill (Estado de Missouri - EUA)
Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma)