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Estudo conclui: proteção social é fundamental para minimizar os efeitos da pandemia nas populações vulneráveis

 

"Iniciativas de proteção social – como o auxílio emergencial, linhas de crédito para empresas e redução de impostos e tarifas para vulneráveis –, quando implementadas de forma coordenada com medidas de saúde, são determinantes para conter a disseminação do vírus, evitar mortes e instabilidades econômicas."

 

 

Esta é apenas uma das muitas e importantes conclusões que tornam eficaz o enfrentamento da pandemia de Covid-19, extraídas do livro “Coronavirus Politics: The Comparative Politics and Policy of COVID-19”. A obra, publicada na última quinta-feira, 22 de abril de 2021, pela University of Michigan Press, recebeu apoio da FAPESP e comparou os efeitos das políticas públicas e decisões governamentais na luta contra a disseminação de COVID-19 em 77 países.

 

O estudo analisou os dez primeiros meses da disseminação do SARS-CoV-2 pelo mundo (até setembro de 2020), quando ainda não havia vacinas disponíveis. Para uma das coordenadoras da pesquisa, Elize Massard da Fonseca (Fundação Getúlio Vargas), "nosso grande achado foi que os países que conseguiram atrelar, lá no começo da pandemia, medidas de saúde não farmacológicas – como distanciamento social, rastreamento de contato e o uso de máscaras – a políticas sociais que permitiram que as pessoas de fato ficassem em casa conseguiram obter uma boa resposta no enfrentamento da pandemia. E isso foi observado em países de alta, média e baixa renda”.

 

Quando a pandemia foi anunciada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em março de 2020, as medidas necessárias para minimizar ou impedir a disseminação do vírus já eram bem conhecidas: "Aprendemos todos muito rapidamente sobre os riscos, os meios de disseminação da COVID-19, como evitar mortes e o colapso dos sistemas de saúde, principalmente se compararmos com a epidemia de Aids, que demorou anos para se fazer o sequenciamento genético do vírus e, inclusive, entender que se tratava de uma DST”, completou a pesquisadora.

 

O levantamento mostra uma grande variação, entre os países, nas respostas para frear o avanço da pandemia. De acordo com os dados, "Enquanto Estados Unidos, Brasil, Índia e Espanha viveram resultados trágicos com recordes de mortes e hospitalizações, países tão diversos como Vietnã, Mongólia, Alemanha, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Taiwan e Noruega foram casos bem-sucedidos." E o estudo ressalta: "O ano de 2020 terminou com China e Vietnã em maior constância e bons resultados do que Canadá e Alemanha – ambos prejudicados pela reincidência de lockdowns e medidas restritivas."

 

Além de Fonseca, Scott Greer e Elizabeth King (ambos da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos) também foram os responsáveis pela coordenação do grupo de 66 pesquisadores que atuaram na coleta de dados para a realização do levantamento.

 

Fonseca, Greer e King também publicaram, em 20 de abril, um artigo na revista Global Public Health sobre as lições aprendidas no combate à COVID-19 no Brasil, Alemanha, Índia e Estados Unidos. O texto enfatiza, entre outros pontos: “O Presidente Bolsonaro minou os esforços para fundamentar a resposta do Brasil em diretrizes científicas para a prevenção e o tratamento da COVID-19. Em meados de 2020, o Brasil era o segundo país mais afetado pela pandemia de COVID-19 em termos de casos diagnosticados e número de mortes. O cenário mais provável é de uma epidemia prolongada, com altos e baixos transitórios em diferentes regiões do país e/ou populações, sem controle definitivo no curto e médio prazo.”


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O LIVRO: Coronavirus Politics: The Comparative Politics and Policy of COVID-19

 

O ARTIGO: COVID-19 IN BRAZIL. Presidential Denialism and the Subnational Government’s Response

 

 

Fonte: Agência FAPESP